No mês passado, o Bahamas Financial Services Board realizou seu Regional Tax & Compliance Symposium anual. Uma mensagem surgiu com notável clareza: no ambiente global atual, o compliance deixou de ser apenas um custo de fazer negócios. É uma vantagem competitiva decisiva.
No mês passado, o Bahamas Financial Services Board realizou seu Regional Tax & Compliance Symposium anual, reunindo reguladores, profissionais do setor e formuladores de políticas de todo o Caribe e de outras regiões. Uma mensagem surgiu com notável clareza: no ambiente global atual, o compliance deixou de ser apenas um custo de fazer negócios. É uma vantagem competitiva decisiva.
Essa constatação não é nova. Mas a urgência com que exige nossa atenção, sim.
Um cenário transformado
Quase duas décadas após a crise financeira global, a regulação dos serviços financeiros passou por profundas mudanças. As reformas para reforçar a transparência e a resiliência remodelaram a forma como as jurisdições operam, como as instituições são supervisionadas e como os fluxos transfronteiriços de patrimônio são examinados. Embora muitos tenham lamentado, na época, o aumento da carga de compliance, essas mudanças criaram imensas oportunidades para aqueles preparados para enfrentá-las.
Os centros financeiros do Caribe e da América Latina demonstraram notável agilidade na adaptação. Apoiada por talentos locais sólidos e por uma colaboração contínua, nossa região tem atendido de forma consistente às expectativas internacionais e promovido ecossistemas seguros e orientados para o compliance. As Bahamas têm sido líderes nesse aspecto.
Da obrigação à oportunidade
Por tempo demais, o compliance foi visto como uma necessidade defensiva para satisfazer avaliadores externos. No entanto, quando os detentores e gestores de patrimônio enfrentam uma complexidade regulatória sem precedentes em várias jurisdições, a capacidade de oferecer segurança, transparência e execução sem falhas é um diferencial. Compliance não se resume a evitar riscos; trata-se de criar valor.
As Bahamas abraçaram essa realidade. Alcançamos conformidade com todas as 40 Recomendações do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), sendo apenas a segunda jurisdição da região da América Latina, Central, do Norte e do Caribe, e a sexta no mundo, a fazê-lo. Também ampliamos os poderes previstos no Proceeds of Crime Act para fortalecer a cooperação internacional na recuperação de ativos. Isso se traduz diretamente em confiança dos investidores e acesso a mercados.
Em um mundo assolado pela volatilidade, os esforços investidos em salvaguardas inteligentes de redução de riscos são a marca de um centro financeiro confiável. Como observou o Procurador-Geral Pinder em nosso conclave de CEOs em janeiro, o compliance ajuda a “garantir que a inovação ande de mãos dadas com a integridade. Sem compliance, a inovação não pode ter êxito.”
Eu iria um passo além e diria que o compliance é o que torna a inovação crível.
Inovação ancorada na integridade
No entanto, a credibilidade pode ser perdida em um instante se as normas não se adaptarem às condições do mundo real. Um mundo marcado pela incerteza exige capacidade de resposta, a capacidade de fazer evoluir os marcos regulatórios no ritmo das necessidades em mudança e da evolução global, sem comprometer os padrões.
Como se discutiu no simpósio, quando se trata de compliance, o diabo mora nos detalhes. Tenho orgulho de ver nosso Poder Legislativo responder a subdomínios emergentes das finanças, reconhecendo que questões de nicho podem ter consequências de longo alcance.
Quando o setor de ativos digitais exigiu clareza regulatória, o Digital Assets and Registered Exchanges Act a proporcionou. Quando as necessidades de estruturação societária evoluíram, modernizamos o Segregated Accounts Company Act. Mudanças futuras, como o marco proposto para as DAOs, que estabelece reconhecimento jurídico formal e estruturas de governança para organizações descentralizadas baseadas em blockchain, demonstram que essa capacidade de resposta continua.
Um imperativo de desenvolvimento nacional
Em nosso simpósio, o Governador do Central Bank of the Bahamas, John Rolle, reforçou que a excelência regulatória deve estar no centro da estratégia de desenvolvimento nacional das Bahamas. A gestão eficaz do risco de crimes financeiros ancora nossa economia doméstica na rede bancária global, sustenta nossos modelos de negócios internacionais e gera retornos diretos para o emprego local.
O Central Bank, a Securities Commission e a Insurance Commission estão agora assumindo poderes delegados pelo Ministry of Finance para reforçar a transparência fiscal no âmbito do Common Reporting Standard da OCDE. A nova legislação sobre o CRS exigirá o registro de todas as instituições financeiras até junho de 2026. Nossas autoridades públicas estão se coordenando de forma eficaz com o setor privado para garantir uma implementação tranquila.
Para uma economia pequena e aberta, essa coordenação é existencial. Uma avaliação ruim ameaça as relações de correspondência bancária, a confiança dos investidores e as parcerias internacionais. Uma avaliação sólida reforça nossa posição como jurisdição de escolha.
É verdade que ainda há trabalho a fazer para garantir que as Bahamas tenham assento nas mesas que decidem esses marcos globais. No entanto, se nós e nossos vizinhos caribenhos trabalharmos juntos de forma harmoniosa no plano global, como fazemos em casa, estou confiante de que esse dia não está longe.
Navegando em águas incertas
Essas conversas se desenrolam em um contexto preocupante. O consenso global que moldou a regulação pós-crise está sendo redefinido à medida que surgem novos blocos geopolíticos e os fluxos transfronteiriços de patrimônio enfrentam pressões.
Mesmo os ecossistemas financeiros não afetados diretamente pela turbulência geopolítica estão passando por mudanças profundas. As alterações no regime de não domiciliados no Reino Unido, as reformas tributárias internas no Brasil e a evolução da política dos EUA sob sucessivos governos causaram perturbações significativas para os detentores internacionais de patrimônio.
Mas, nesse ambiente conturbado, existem ricas oportunidades para aqueles capazes de responder. Os centros financeiros que combinam credibilidade regulatória com estabilidade política atrairão capital global e crescerão como resultado. As Bahamas estão excepcionalmente bem posicionadas para tirar proveito desses fatores.
Do reconhecimento à concretização
O talento demonstrado no simpósio me tranquiliza quanto ao fato de que o setor de serviços financeiros das Bahamas está preparado para este momento. Precisamos agora aproveitar esses pontos fortes por meio de uma execução disciplinada. Enquanto nosso ambiente muda, a concorrência se intensifica e os clientes exigem mais eficiência e transparência, devemos permanecer comprometidos com os padrões internacionais e com uma oferta estável. Como setor, possuímos tanto a competência quanto a determinação para transformar o compliance em vantagem competitiva. Ao fazê-lo, garantimos o lugar das Bahamas no cenário financeiro global em evolução.
Os artigos aqui publicados refletem as opiniões de seus respectivos autores e não necessariamente as da World Alliance.