Ninguém poderia ter previsto o que aconteceu nos últimos 12 meses. A Covid 19 provocou uma emergência de saúde pública no Reino Unido e em todo o mundo. E as consequências econômicas foram profundas para famílias, comunidades e empresas em todo o nosso país.
A mensagem central do nosso relatório Roadmap é que o setor de serviços financeiros e serviços profissionais relacionados está determinado a fazer parte da solução para esta crise econômica.
Nas primeiras fases da pandemia, o nosso setor atuou como amortecedor, concedendo com rapidez empréstimos garantidos pelo governo a mais de 1,6 milhão de empresas, oferecendo carência no pagamento de hipotecas e empréstimos, garantindo que os mercados continuassem a funcionar de forma eficiente e prestando assessoria jurídica e profissional crucial a empresas e pessoas de norte a sul do país.
À medida que o país dá passos cautelosos para sair da pandemia, o nosso setor tem novamente um papel fundamental a desempenhar – como motor da recuperação e do crescimento.
Ao entrar nesta crise, os serviços financeiros e os serviços profissionais relacionados já davam uma enorme contribuição à economia como o maior contribuinte fiscal e o maior setor exportador do país, respondendo por 10 por cento da produção econômica e empregando 2,3 milhões de pessoas, dois terços das quais fora de Londres.
É um setor verdadeiramente nacional. Ao lado do ecossistema de serviços financeiros e profissionais de Londres, único e sem rival, existem fortes polos do setor em cidades de Belfast a Birmingham, de Cardiff a Manchester e de Leeds a Edimburgo.
Portanto, o setor está bem posicionado para dar o impulso inicial à recuperação econômica e ao crescimento em todo o país, agora e nas próximas décadas.
Outra consequência da pandemia é que ela acelerou tendências e desafios socioeconômicos que já estavam em curso, e o nosso Roadmap reflete sobre eles:
- a tendência internacional ao protecionismo e ao isolacionismo.
- as disparidades regionais de riqueza, investimento e oportunidades.
- a necessidade de maior diversidade e inclusão.
- a urgência das mudanças climáticas e a rápida transformação tecnológica.
Em alguns casos, essas tendências oferecem oportunidades que o setor pode ajudar o país a aproveitar: seja a revolução nos padrões de trabalho, a incrível transformação digital que presenciamos ou o renovado impulso para enfrentar a emergência climática.
À luz desses desafios e oportunidades, o Roadmap apresenta recomendações em uma ampla gama de áreas:
Do comércio internacional às mudanças na regulamentação e na tributação, da inovação e tecnologia ao papel crucial dos serviços profissionais ao lado dos serviços financeiros.
Darei uma ideia de algumas das nossas recomendações em três áreas fundamentais: redução das desigualdades regionais (leveling up), competências e talentos, e sustentabilidade.
Para apoiar a agenda de Leveling up:
O setor já dá uma enorme contribuição, com empregos altamente qualificados e bem remunerados em todo o Reino Unido. Ainda esta semana, o Goldman Sachs anunciou novos investimentos em Birmingham, o Barclays inaugurará novos escritórios em Glasgow ainda este ano e a PWC abriu recentemente um prestigioso novo escritório no distrito financeiro de Manchester.
E já vemos o nosso setor colaborando com parceiros fundamentais, como as universidades, para oferecer oportunidades de formação à população local.
O setor também sustenta investimentos vitais em toda a economia.
O Roadmap expõe como o setor, trabalhando com os City Chairs da TheCityUK e com redes regionais de profissionais em todo o país, deve dar continuidade ao trabalho que já realiza para ajudar os líderes locais a moldar suas estratégias de recuperação.
No relatório, pedimos ao governo que priorize e apoie a banda larga ultrarrápida em todo o Reino Unido. Pedimos também ao governo que nomeie um Ministro com assento no Gabinete para liderar uma equipe responsável por definir, medir e executar a agenda de leveling up em todo o governo
Em segundo lugar, sobre competências e talentos:
Recomendamos uma ênfase maior na qualificação e na requalificação da nossa força de trabalho atual em áreas fundamentais, para garantir que o setor tenha as competências de que necessita para o futuro.
Recomendamos também que o nosso setor redobre seus compromissos com programas voltados para os jovens e de mentoria.
E devemos garantir que o investimento do governo em competências e formação esteja alinhado às necessidades das empresas.
Fundamentalmente, salientamos que é preciso fazer mais para garantir que o nosso setor seja mais representativo das pessoas e comunidades que atende e, com base no excelente trabalho já em andamento, recomendamos que as empresas acelerem os esforços para coletar dados, divulgá-los e assumir compromissos públicos de aumentar a diversidade de sua força de trabalho.
Por fim, a sustentabilidade continua em destaque na agenda, e o nosso setor está na vanguarda dos esforços coletivos do governo e do setor privado para enfrentar as mudanças climáticas.
Concordamos com a ênfase do governo em reconstruir melhor após esta pandemia, incluindo o “plano de 10 pontos” do Primeiro-Ministro, anunciado no último outono, e o plano de emitir um título soberano verde ainda este ano.
Pedimos ao governo e ao setor que trabalhem lado a lado para alcançar a meta de emissões líquidas zero do Reino Unido para 2050 e ao governo que aproveite a oportunidade para impulsionar a colaboração internacional durante sua Presidência da COP26.
Recomendamos também que o governo, inclusive por meio do sistema tributário, implemente estruturas de incentivo para promover investimentos sustentáveis.
Da nossa parte, a contribuição do setor para uma recuperação econômica sustentável se concentrará nas finanças verdes, por meio de produtos como títulos verdes e empréstimos verdes. A TheCityUK produzirá nos próximos meses um novo relatório sobre Finanças Verdes para mapear os pontos fortes relativos do Reino Unido nesses produtos e serviços.
Conclusão
Concluindo, embora haja uma crescente sensação de otimismo cauteloso, o caminho para sair da pandemia ainda é incerto e não existem soluções mágicas.
Não pretendemos ter todas as respostas, mas vemos as nossas recomendações como o início, e não o fim, de um processo.
Não queremos que o nosso relatório fique nas estantes acumulando poeira.
É um roteiro que queremos usar para iniciar um diálogo com o governo central e os governos locais, os reguladores, os formuladores de políticas, as pequenas e grandes empresas, as universidades e outros, sobre como o setor de serviços financeiros e serviços profissionais relacionados pode trabalhar em parceria para acelerar a recuperação e o crescimento nos próximos anos.
E sobre como podemos colocar toda a força dos nossos esforços coletivos a serviço da reconstrução e da construção de uma economia mais forte e mais resiliente para cidades e comunidades em todo o país.
Faça o download do relatório da TheCityUK “A roadmap for economic recovery: The role of financial and related professional services”.
Os artigos aqui publicados refletem as opiniões de seus respectivos autores e não necessariamente as da World Alliance.