As cadeias globais de suprimentos são criações empresariais extraordinárias. Para os profissionais de serviços financeiros, à primeira vista, a complexidade da produção de bens acabados ao longo da cadeia de suprimentos é avassaladora, para não falar das muitas questões envolvidas em desatar esse nó e compreender como tudo funciona – e, depois, encontrar maneiras de estimular a redução dos custos de energia e de materiais envolvidos na movimentação de peças e bens acabados ao redor do mundo.
Embora admita o quanto a tarefa é intimidadora, o autor sente-se tentado a lembrar aos leitores que realmente não há escolha. Há razões éticas para exigir das empresas uma eficiência rigorosa. O ponto essencial, tanto para os negócios quanto para a vida neste planeta, é que a mudança do clima já chegou, de forma mais do que evidente.
Vamos dividir o problema em linhas de ataque um pouco mais fáceis de assimilar. Os serviços financeiros e as empresas devem implementar uma multiplicidade de estratégias ao mesmo tempo, muitas vezes tão entrelaçadas quanto as próprias cadeias de suprimentos.
O objetivo declarado da frente de trabalho da World Alliance é “reduzir os custos de energia da cadeia de suprimentos a zero líquido”. Saber se os serviços financeiros, por meio de diversos instrumentos de capital e exigências de empréstimo, têm ou não a capacidade de induzir a produção e o comércio globais a chegar ao zero líquido não deve bloquear todas as tentativas de avançar nessa direção. Vamos levar essa questão a um nível mais detalhado.
Direções a seguir
O ChatGPT oferece orientações na forma de instruções para olhar nestas dez direções:
- Fornecimento sustentável
- Redução das emissões no transporte
- Eficiência energética na produção de bens
- Redução do desperdício de materiais e reciclagem
- Transparência e rastreabilidade de cada etapa
- Colaboração e parcerias
- Certificação e normas
- Inovação e tecnologia
- Conformidade regulatória
- Conscientização e educação do consumidor
A posição da World Alliance
As finanças são o negócio de direcionar a poupança para investimentos produtivos, de curto ou de longo prazo. Os membros da World Alliance não são fabricantes nem empresas de transporte, nem mesmo instituições de serviços financeiros: eles promovem as instituições de suas jurisdições que oferecem todo o espectro de serviços financeiros, de terceiros para terceiros. Não cabe aos membros da World Alliance direcionar fluxos de capital, mas pode ser sua função educar e defender as finanças verdes no amplo interesse da sociedade.
Uma instituição financeira tem objetivos imediatos de rentabilidade, bem como a necessidade de assegurar sua viabilidade e prosperidade estratégicas de longo prazo. Uma agência de centro financeiro normalmente tem apenas a preocupação mais ampla, de longo prazo, de promover o crescimento constante do setor e de manter e reforçar uma reputação inquestionável de equidade, segurança jurídica e transparência nas operações dos agentes nele registrados. Os objetivos dos membros da World Alliance são, de certo modo, distintos dos das instituições financeiras dessas cidades.
O talento é uma preocupação constante tanto para as empresas quanto para as agências dos centros financeiros.
Diferentes faixas etárias encaram a importância das finanças verdes de maneiras diferentes. Claramente, os mais jovens têm uma visão mais longa à frente ao imaginar o que a mudança do clima trará para suas vidas. Há aqui uma convergência: no esforço para continuar atraentes para pessoas jovens e talentosas, as instituições financeiras têm um incentivo para promover uma visão mais positiva do futuro, agindo para assegurá-lo. Nas últimas décadas, à medida que o ESG ganhou espaço nos debates de políticas públicas e nos conselhos de administração, parece haver em todo o mundo uma forte correlação entre os jovens que desejam trabalhar para empresas vistas como inovadoras e preocupadas com a sociedade e o planeta.[1]
O que as finanças verdes/ESG fazem e não fazem
A OCDE realiza pesquisas e workshops sobre negócios e finanças ESG desde o final da década de 1990, estimulada inicialmente por trabalhos exploratórios realizados nas bolsas de valores de Joanesburgo e São Paulo. Independentemente uma da outra, o Brasil e a África do Sul passavam por mudanças sociopolíticas dramáticas, cada um em suas próprias circunstâncias; e, com tanta coisa em debate, os líderes dessas bolsas reescreveram as regras de listagem para incentivar os conselhos das companhias abertas a mudarem suas práticas.
Ainda não está claro, na década de 2020, se uma governança cuidadosa e baseada em boas práticas no conselho, a atenção ao impacto social de uma empresa e um trabalho sério para reduzir sua pegada de carbono efetivamente alteram o valor da empresa.[2] Da mesma forma, os índices ESG dos mercados de títulos e de ações não mostram, nem positiva nem negativamente, que o cuidado dos conselhos de administração se traduz em desempenho corporativo superior ao do mercado em geral. Tampouco o resultado é um desempenho inferior.
Mas será que essa é realmente a questão? Estamos fazendo a pergunta certa?
Na época, na década de 1990, os líderes dessas bolsas procuravam reposicionar as empresas como instituições valiosas e de liderança em suas sociedades. Embora talvez esperassem que esse estímulo, por meio de padrões de divulgação pública, levasse essas ações e títulos a superar o mercado em geral e a valorizações das empresas acima da média, a ênfase era essencialmente “estar empenhado em fazer a coisa certa”. Eles queriam que as empresas com fins lucrativos fossem vistas pelos cidadãos como agentes sociais positivos. O mesmo se aplicava ao primeiro projeto dos Princípios de Governança Corporativa da OCDE, promulgado em 1999.[3]
Lição de casa para os membros da World Alliance
Como demonstra a lista no início deste artigo de opinião, tornar mais verde a cadeia de suprimentos do comércio global é uma tarefa intimidadora, complexa, interconectada e difícil de estimar, quantificar e avaliar, considerando tudo o que deve ser levado em conta. E daí?
Como líderes nos centros financeiros em que atuam, por que alguém nessa posição não desejaria estimular o debate público e incentivar mudanças no comportamento corporativo? Essa é a essência da liderança pública.
Assim como as notícias, o dinheiro circula rapidamente pelo mundo, e não se pode ignorar a competição por capital de investimento. Mas os líderes dos centros financeiros têm vozes fortes e um público que já sente o calor e a umidade da mudança do clima. Demonstrar seu papel positivo na sociedade enfrentando o desafio do carbono e a redução do desperdício de materiais deveria ser a iniciativa de relações públicas mais evidente para as empresas: na pior das hipóteses, parece, a julgar pelas últimas décadas, que há pouco custo comercial em implementar práticas ESG rigorosas; na melhor, o público responderia positivamente à liderança empresarial exercida nas comunidades em que as empresas atuam.
O que caracteriza tornar mais verde a cadeia de suprimentos é que isso afeta tudo, em todos os lugares. Melhores práticas no uso de energia e de materiais acontecem em toda parte, e as empresas são sensíveis à necessidade de capital em cada etapa da produção. O zero líquido pode estar distante, mas dar o primeiro passo é trabalho para hoje.
[1] https://assets.ey.com/content/dam/ey-sites/ey-com/en_gl/topics/corporate-responsibility/ey-ja-2023-sustainability-report-27-july-2023.pdf. Ernst and Young Generational Sustainability Report, 2023.
[2] https://www.mdpi.com/2071-1050/14/22/15302
[3] https://legalinstruments.oecd.org/public/doc/322/322.en.pdf
Os artigos aqui publicados refletem as opiniões de seus respectivos autores e não necessariamente as da World Alliance.