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20 de abril de 2021

O significado e o impacto ampliados dos centros financeiros

Vejo os líderes dos centros financeiros internacionais como regentes de orquestra. Cada instrumento pode ser tocado isoladamente – violinos, clarinetes ou oboés, ou, neste caso, um banco ou uma seguradora –, mas, quando orquestrados, passam a fazer parte de um todo maior.

Para ter uma noção do que está acontecendo nos serviços financeiros, já não basta ir a uma conferência sobre bancos, seguros ou bolsas. Na década de 2020, a combinação, a realidade, é muito mais rica do que isso.

No espaço de uma vida para muitos de nós, as competências nos diferentes serviços financeiros se multiplicaram ao redor do mundo. Em regiões onde a economia era em grande parte informal, chegaram os serviços bancários básicos. Em jurisdições que já tinham bancos, serviços de seguros e regimes básicos de previdência foram lançados e desenvolvidos de forma mais completa. Em países que têm a sorte de possuir matérias-primas escassas em grande quantidade, ou elevadas taxas de poupança nacional, foram criados fundos soberanos. A porcentagem da economia mundial financiada nos mercados de valores mobiliários desde a Segunda Guerra Mundial aumentou muito mais rapidamente do que o crescimento global, o que significa que há uma dependência maior das bolsas para a captação de capital de investimento. Os fundos de investimento coletivo cresceram a ponto de ter ativos sob gestão cujo valor supera em muito o PIB mundial.

E há mais movimento de tudo com a evolução acelerada das telecomunicações, das mídias e das tecnologias. Dois exemplos ilustram o ponto. O primeiro satélite de comunicações, o Telstar, foi lançado sobre o Atlântico Norte em julho de 1962. Sua órbita não era geoestacionária, o que significava que os sinais duravam apenas alguns minutos antes que ele seguisse em sua órbita. Ele possibilitou o primeiro sinal de televisão transatlântico ao vivo disponível ao público; a transmissão foi exibida na Europa pela Eurovision e na América do Norte pelas três redes nacionais americanas e pela rede nacional canadense da época. As primeiras imagens foram a Estátua da Liberdade, em Nova York, e a Torre Eiffel, em Paris.

Avancemos para o início da década de 1990: o consórcio privado que construía a National Stock Exchange of India lançou um satélite geoestacionário sobre o subcontinente e forneceu aos futuros participantes do mercado antenas parabólicas para que começassem a negociar em um mercado nacional unificado. Alguns anos depois, esse satélite e essas antenas deram lugar a milhares de quilômetros de fibra óptica de alta velocidade e a centros de transmissão que interligaram todo o país.

Afetando todos esses serviços, os derivativos financeiros cresceram em velocidade logarítmica a partir dos derivativos agrícolas desde o início da década de 1970, permitindo a proteção contra riscos e a tomada de riscos pelos atores, mesmo com o que hoje seriam consideradas calculadoras de bolso bastante primitivas. O epítome da velocidade nos primeiros anos deste século foram as torres de micro-ondas construídas para transmitir sinais entre Nova York e Chicago.

Outro motor fundamental no final do século foi a permissão, por parte dos reguladores, para que investidores institucionais de fora da jurisdição fossem habilitados e conectados diretamente às bolsas para realizar transações. As bolsas de Estocolmo e Frankfurt estiveram entre as pioneiras no acesso direto ao mercado a partir de fora da jurisdição de origem – elas estavam literalmente internacionalizando sua base de membros por meio de novas formas de acesso conveniente. A noção de mercado doméstico mudou.

Os banqueiros costumavam conhecer os banqueiros de suas jurisdições, e competiam entre si, mas também compartilhavam conhecimentos. O setor bancário costumava, em geral, ser separado do setor de seguros; as seguradoras também se conheciam, competiam e compartilhavam conhecimentos em seu campo. As bolsas costumavam estar sozinhas em seus mercados nacionais, ou quase. Os gestores de fundos conheciam bem os gestores de fundos, e essas empresas costumavam estar em divisões separadas de suas instituições controladoras de seguros ou bancárias. Os atores de cada silo tinham pouca interação direta. E o mesmo acontecia entre os mercados de commodities e os segmentos de derivativos que lidavam com ativos intangíveis, sendo os operadores de câmbio ainda um outro mundo à parte.

O que mais impressiona o observador é o quanto, e com que rapidez, desde o final do século passado, essas formas de especialização passaram a interagir – juntamente com os advogados, os contadores e os reguladores. A noção de centro financeiro tal como a conhecemos hoje é ecológica, é o efeito de cluster que se observa. Os silos tornaram-se muito mais porosos.

Os serviços financeiros há muito deixaram para trás o momento em que as instituições atuavam de maneiras distintas, de forma previsível, dentro de um conjunto definido de competências. Mesmo que não ofereçam serviços em todo o espectro, as interações na formação dos preços dos ativos as unem. Como os membros da World Alliance reconheceram, as vantagens a serem obtidas são numerosas – os conjuntos de competências existentes podem e devem ser orquestrados para assegurar o crescimento – e a estabilidade – de todos.

Vejo os líderes dos centros financeiros internacionais como regentes de orquestra. Cada instrumento pode ser tocado isoladamente – violinos, clarinetes ou oboés, ou, neste caso, um banco ou uma seguradora –, mas, quando orquestrados, passam a fazer parte de um todo maior. A música sinfônica, ou mesmo as bandas de jazz e os quintetos, soam de forma diferente do que seus instrumentos tocam individualmente. A década de 2020 promete ser uma década em que a musicalidade combinada de cada um dos centros financeiros internacionais do mundo será um fator importante para o crescimento das nações e da economia mundial.

A agenda da World Alliance aborda os desafios do nosso tempo, que exigem reflexão, competência e colaboração mundial. Como os serviços financeiros podem atender melhor às necessidades das PMEs, que eficiências podem ser obtidas para elas por meio do esforço coletivo? As respostas à emergência climática exigem enorme atenção – e capital: quem melhor para responder do que esta comunidade? E há também questões que tocam o próprio cerne das nossas economias de mercado no que diz respeito ao bom funcionamento das empresas e à sua gestão responsável. Em boa medida, as respostas a esses problemas exigirão cooperação com as autoridades reguladoras do mundo, e a World Alliance também tem isso em sua agenda para esta década.

Os artigos aqui publicados refletem as opiniões de seus respectivos autores e não necessariamente as da World Alliance.