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13 de fevereiro de 2024

O Prêmio Nobel de Economia de 2023 pela compreensão dos resultados das mulheres no mercado de trabalho

A agenda permanente da World Alliance inclui incentivar o avanço da participação das mulheres no setor de serviços financeiros. A persistente sub-representação das mulheres nesse setor se traduz em uma enorme perda de talentos para a sociedade. Não pode haver maneira melhor de fazer avançar essa agenda por meio de melhores escolhas de políticas públicas do que recorrer a alguns dos estudos de várias décadas conduzidos pela Professora Claudia Goldin, da Harvard University, laureada com o Nobel deste ano por seu trabalho na área.

O resumo das conclusões de Goldin pela Real Academia Sueca de Ciências

A World Alliance não poderia fazer melhor do que citar diretamente o anúncio do Prêmio Nobel:

“As mulheres estão amplamente sub-representadas no mercado de trabalho global e, quando trabalham, ganham menos do que os homens. Claudia Goldin vasculhou os arquivos e reuniu mais de 200 anos de dados dos EUA, o que lhe permitiu demonstrar como e por que as diferenças de gênero nos rendimentos e nas taxas de emprego mudaram ao longo do tempo.

Goldin mostrou que a participação feminina no mercado de trabalho não apresentou uma tendência de alta ao longo de todo esse período, mas forma, em vez disso, uma curva em formato de U. A participação das mulheres casadas diminuiu com a transição de uma sociedade agrária para uma sociedade industrial no início do século XIX, mas começou a aumentar com o crescimento do setor de serviços no início do século XX. Goldin explicou esse padrão como resultado de mudanças estruturais e da evolução das normas sociais relativas às responsabilidades das mulheres com o lar e a família.

Durante o século XX, os níveis de escolaridade das mulheres aumentaram continuamente e, na maioria dos países de alta renda, são hoje substancialmente mais altos do que os dos homens. Goldin demonstrou que o acesso à pílula anticoncepcional desempenhou um papel importante na aceleração dessa mudança revolucionária, ao oferecer novas oportunidades de planejamento de carreira.

Apesar da modernização, do crescimento econômico e da proporção crescente de mulheres empregadas no século XX, durante muito tempo a diferença de rendimentos entre mulheres e homens praticamente não diminuiu. Segundo Goldin, parte da explicação é que as decisões educacionais, que afetam as oportunidades de carreira por toda a vida, são tomadas em uma idade relativamente jovem. Se as expectativas das jovens são formadas pelas experiências das gerações anteriores – por exemplo, suas mães, que só voltaram a trabalhar depois que os filhos cresceram –, então a evolução será lenta.

Historicamente, grande parte da diferença de rendimentos entre os gêneros podia ser explicada por diferenças de escolaridade e de escolhas profissionais. No entanto, Goldin mostrou que a maior parte dessa diferença de rendimentos ocorre hoje entre homens e mulheres na mesma ocupação e que ela surge, em grande medida, com o nascimento do primeiro filho.”

Um olhar mais aprofundado

A Professora Goldin teve uma carreira extremamente produtiva como pesquisadora[1], bem como professora. Seus artigos e livros merecem ser estudados. A pesquisa decisiva veio em 1990, com a publicação pela Oxford Press do livro que mudou a compreensão sobre as mulheres no trabalho e na sociedade, pelo menos nos EUA, onde ela dispunha de uma grande quantidade de dados históricos econômicos e sociais com os quais trabalhar: Understanding the Gender Gap: An Economic History of American Women.

O livro colocou em evidência as mulheres que entravam no mercado de trabalho em números sem precedentes; no entanto, essas trabalhadoras, extremamente necessárias, ainda ganhavam menos do que os homens e recebiam menos oportunidades de promoção. O estudo de Goldin traçou a evolução da força de trabalho feminina nos EUA, abordando a questão da distinção de gênero no local de trabalho e refutando a ideia de que os avanços das mulheres no emprego eram uma resposta a uma revolução social, e não ao progresso econômico de longo prazo. Suas séries de dados permitiram-lhe combinar informações sobre emprego, rendimentos, experiência profissional, discriminação e horas de trabalho, estabelecendo assim como a situação econômica das mulheres na década de 1980 resultou da evolução gradual ao longo dos dois séculos anteriores.

Lição de casa para a World Alliance

A sub-representação de uma parcela significativa da sociedade na força de trabalho dos serviços financeiros, tanto em números absolutos quanto em suas posições na hierarquia, acaba por reduzir aquilo que esse setor de atividade precisa realizar. É frustrante; é um desperdício; e é errado.

A World Alliance está certa em manter essa questão em sua agenda permanente. Onde as leis de privacidade permitirem, os membros poderiam começar a acompanhar as tendências nos serviços financeiros em suas jurisdições. Onde os dados não puderem ser acompanhados individualmente, talvez pesquisas possam dar alguma noção dos progressos alcançados, ou da falta deles. Se o objetivo é a melhoria constante dos papéis que as mulheres deveriam desempenhar em nosso segmento, precisaremos de números para ver o que está ou não acontecendo.

Este artigo de opinião começa com o desenho em estilo cartum preparado pela Real Academia Sueca de Ciências para o prêmio da Professora Goldin. Ele mostra uma mulher detetive em busca de informações. Como todo cartum sério, a mensagem é que todos nós, de qualquer gênero, precisamos ser detetives à medida que corrigimos progressivamente esse erro. Podemos chamá-lo de exemplo Goldin.

[1] https://scholar.harvard.edu/goldin/biocv

Os artigos aqui publicados refletem as opiniões de seus respectivos autores e não necessariamente as da World Alliance.